brazilyellowpages.com

Google
 

[Under Construction]

HOME PAGE - FORMULA 1 DRIVERS LISTINGS

AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

RACE WINNERS

FORMULA 1 MANUFACTURERS

FORMULA 1 DRIVERS PER NATIONALITY

BRAZILIAN PRODUCTS

HAVAIANAS

ENCICLOPÉDIA DE AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

MORTGAGES

RACING NEWS

BRAZILIAN MUSIC

FLORIDA

MEDICAL INFORMATION

COFFEE

INTERNET DOMAINS

REAL ESTATE

BRAZILIAN EXPORTERS

BRAZILIAN IMPORTERS

TRANSLATIONS

MEXICAN IMPORTERS

AMERICAN IMPORTERS

PERSONAL FINANCING

CREDIT

TRAVEL

IMMIGRATION

INTERNET

PORTUGUESE BUSINESS DICTIONARY

VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL

CAMPEÕES BRASILEIROS DE AUTOMOBILISMO

blog

 

BRAZILIAN PRODUCTS

TRADUÇÕES JURAMENTADAS

PASSAGENS

MEDICAL INFORMATION

IMPORTERS

INTERNET

JOBS

WEB HOSTING

CIFRAS MUSICAIS

REAL ESTATE

ARTICLES

COFFEE

MORTGAGES

AUTO RACING

RECEITAS

EXPORTERS

PERSONAL FINANCE

CREDIT ISSUES

 TRAVEL

ARTIGOS

CRÔNICAS

FUTEBOL

CIRO CAYRES

Por Carlos De Paula

Agradecimentos a Napoleão Ribeiro

 

O automobilismo, nos anos 50 e 60, estava longe de ser um esporte de massa. Entretanto, um piloto conseguiu ficar razoavelmente conhecido sem nunca ter feito sucesso no exterior, sem ter ganho as Mil Milhas e com relativamente poucas vitórias em provas importantes. Este piloto foi Ciro Cayres, certamente o nosso primeiro piloto com “star quality”. Fale com seus contemporâneos, principalmente paulistas, e muitos vão se lembrar dele, e provavelmente de nenhum outro piloto, salvo Chico Landi.

 

O fato de não ter obtido nenhum desses marcos na sua carreira aparentemente não abalavam a fama de Cayres, nem tampouco sua auto-estima. Em uma entrevista para a revista “Via”, da Pirelli, Cayres dizia que realmente era o melhor piloto da sua época. E se nunca ganhou nenhuma Mil Milhas e somente uma edição dos 500 km, foi por um grande azar que o perseguiu durante boa parte da sua carreira.

 

Grande exemplo disso foi a sua performance em 1965. Aparentemente com o queijo e a faca nas mãos, ou seja, uma Simca Abarth e uma boa equipe dirigida por Chico Landi, Cayres acabou completamente obscurecido por seu colega, o jovem Jayme Silva, ganhando somente os 500 km do Rio de Janeiro, as 6 Horas de Curitiba e uma prova sem expressão no Rio de Janeiro, enquanto seu companheiro de equipe papou as melhores provas. De fato, após esta temporada, a carreira de Ciro perdeu um pouco do brilho, e as vitórias e participações foram se tornando cada vez mais raras. Não por que só tenha corrido com carros não competitivos: foi convidado para correr na Equipe Jolly em 1967, onde não obteve sucesso, e desapareceu das pistas em 1968 e 1969. Voltou a brilhar com a equipe CEBEM em 1970, ganhando os 1500 km e a Prova Tufic Scaff, com Jan Balder, em uma BMW 2002, marcando a melhor volta e pole position em ambas as corridas. Daí por diante suas participações se limitaram a uma prova com uma Alfa GTA e corridas com Opalas.

 

Nascido em Bebedouro, interior de São Paulo, em 6 de novembro de 1932, Ciro era filho de um próspero comerciante português, Aurélio Cayres. Com seis anos, a família mudou-se de volta para São Paulo, estabelecendo-se na Rua Pernambuco. Ainda criança, Ciro gostava de carros, chegando a fazer manutenção dos veículos da família com meros 7 anos de idade. Provavelmente sentindo o gosto do menino pelos automóveis, o pai já foi lhe dizendo, na primeira corrida assistida em Interlagos que não gostaria que nem Ciro, nem seu irmão Ary, participassem de corridas. Mal sabia ele que não só os meninos, mas também suas irmãs Leonie e Marize correriam um dia.

 

Muitas das estrepolias dos irmãos, na adolescência, envolveriam carros. E assim foi que Ciro cumpriu seu destino dois meses após a morte do pai: participou de uma prova para estreantes em Interlagos, com o Ford herdado do pai, e chegou em 4°.

 

Apesar de ser de uma família abastada, Ciro corria escondido da mãe, e portanto, sem se beneficiar da boa situação econômica da família. Portanto, dependia do apoio de amigos e colegas de pista. Eventualmente a mãe de Ciro descobriu que os dois irmãos corriam com os pseudônimos Arigó e Arigó II, dedurados por uma costureira linguaruda. Dona Maria Conceição foi a Interlagos em dia de corrida, armou um grande barraco, mas acabou orgulhosa quando Ary ganhou a corrida. Parou a sua oposição, mas não contribuiu para a carreira do filho.

 

Em 1950, Ciro correu com um carro inglês Riley, de 1,5 litros, com a melhor colocação um 3° lugar, numa prova na qual participaram Godofredo Viana, Amaral Junior, Arlindo Aguiar e Nicola Losacco. Em 1951, esteve presente das primeiras 24 Horas de Interlagos, corrida disputada só com carros Mercedes Benz, e chegou em 11°, compartilhando um modelo Diesel com Raphael Gargiulo. Também dirigiu um MG e um Allard, obtendo dois 5os. Lugares.

 

Os irmãos Cayres compraram um Fiat que foi usado durante as temporadas de 1952 a 1954. Neste, Ciro chegou a obter um 2° lugar nas 2 Horas de Velocidade de 1953. Já com o Allard J2 Cadillac, Ciro obteve a sua primeira vitória de classe, na Prova Prefeitura de São Paulo, de 1953. Correria com esse carro até 1955, tendo com ele disputado a última edição da corrida da Gávea, em 1954.

 

Mas o primeiro grande triunfo de Cayres se deu com uma Ferrari 195S, na I Prova da Independência de 1953. De fato, as grandes vitórias de Ciro ocorreriam com carros italianos, Ferrari e Maserati, seja com motor original, ou com motores adaptados, na categoria Mecânica Nacional. Ciro obteve algumas boas colocações em 1954 a 1956, inclusive uma vitória no Circuito da Boa Vista, com um Simca, em 1954, e vitória no Circuito de Pirajuí, com o Allard, em 1955. Em 54 quase ganha as 2 Horas de Velocidade, perdendo para Celso Lara Barberis por que teve que trocar um pneu na última volta, e chegou a liderar as 100 Milhas do IV Centenário, até o câmbio quebrar, em prova disputada por Chico Landi, Barberis, Godofredo Viana, Eugenio Martins e Luis Carlos Valente, entre outros.

 

Em 1955 também tentou iniciar uma carreira internacional. Disputou as 10 Horas de Messina, na Itália, em dupla com Gino Muraron numa Ferrari, abandonando a prova. Ficou 43 dias na Europa, mas infelizmente o timing foi terrível: estava lá justo quando ocorreu o pior acidente da história do automobilismo, nas 24 Horas de Le Mans, e diversas corridas foram sumariamente canceladas no continente inteiro. Quebrou nas provas do Campeonato Sul Americano em Buenos Aires e Uruguai, no mesmo ano.

 

Após obter um sexto lugar na I edição das Mil Milhas, em 1956, correndo com um Volvo com Francisco Azevedo, Ciro iniciou a melhor fase da sua carreira em 1957. Participou de sua única corrida de campeonato mundial, os 1000 km de Buenos Aires, fazendo dupla com Bino Heins, em um Porsche, e abandonando na 45a. Volta. Ciro comprou um motor Corvette e um Maserati, este último adquirido fiado de Ângelo Juliano. Toni Bianco foi contratado para instalar o motor americano na Maser, embora insistisse que o carro não agüentaria a cavalaria. Agüentou: Ciro obteve duas excelentes vitórias com a Maserati Corvette de Mecânica Nacional, em 1957, na Prova Jornada Sudan, comandando a corrida inteira e em uma Prova do Cinqüentenário do ACB, ganhando outra prova do Cinqüentenário com uma Ferrari Corvette, e marcando a volta mais rápida, todas em Interlagos. Com a Maserati-Corvette, quebrou o recorde absoluto de Interlagos, marcando 3m37”, que deteria até 1967! Na primeira edição dos 500 km de Interlagos, ainda com a Ferrari Corvette, Ciro marcou a pole position, liderou 105 voltas e marcou a volta mais rápida da corrida, mas acabou tendo um acidente terrível, trincando uma vértebra, arrebentando o joelho e com grande corte no quadril. A roda que escapou do seu carro atropelou quatro pessoas e matou uma moça. Duas semanas depois, diversos amigos corredores o levaram para Interlagos, e lhe disseram que ele estava acabado para as corridas. Todo engessado, Ciro aceitou o desafio, entrou num carro de corridas e apesar das dores, saiu em disparada. Ao chegar no boxe, os colegas que haviam armado o desafio para tirar-lhe o trauma das pistas, o aplaudiram.

 

Nas Mil Milhas, Ciro geralmente participava em carros sem chance de vitória geral. E assim foi em 1957, compartilhando um DKW com Eugênio Martins, abandonando a corrida; em 1958, com uma Fiat Stanguellini, em companhia de Leone Bracalli, e com um DKW, em 1959, em dupla com o futuro “cobra” Bird Clemente (chegaram em 11°). Todas essas edições foram ganhas por carreteras com motores V8 de pilotos gaúchos.

 

As corridas eram poucas na época, e assim que pilotos geralmente não recusavam nenhuma chance de correr. Assim Caíres chegou a correr em numa prova de Romi Isettas em Interlagos, em 1958 chegando em terceiro. Mas as grandes performances de Ciro se davam nas provas de Mecânica Continental, com Ferrari Corvette e Maserati Corvette. Na primeira não teve muita sorte, mas no último marcou o recorde de volta nos 500 km, em 1959, com 1m11s02, ganhou o Torneio Triangular Sul Americano, em 1959, batalhando intensamente com Camillo Christófaro, além de vencer o GP Cidade do Rio de Janeiro e a Segunda Etapa do Torneio Sul Americano, em Interlagos, já em 1960. Nos 500 km de 1960, largou em 2o, e esteve muito tempo entre os primeiros, terminando por abandonar a corrida.

 

Voltou a disputar as Mil Milhas com DKW, em 1960, compartilhando o Vemag número 10 com Marinho, chegando em 10°. Na III Etapa do Torneio Sul Americano, de 1961, nova vitória com o Maserati Corvette, e pole position e 16° lugar nos 500 km. Nas 24 Horas de Interlagos, deu-se sua primeira participação com um Simca brasileiro, correndo em dupla com Bird Clemente. Clemente/Cayres estiveram entre os primeiros, mas terminaram em 11°.  Nos próximos anos grande parte da sua carreira seria dedicada aos carros da montadora francesa.

 

De fato, passou a participar da escuderia oficial da fábrica em 1961, mas enfrentou problemas. O Simca, apesar dos seus 2,5 litros de capacidade, era pesado e tinha relativamente pouca potência. Por sorte, a equipe contou com Ciro, além de outros pilotos especializados em mecânica como José Fernando Toco Martins, Jayme Silva e Chico Landi, que pouco a pouco aumentaram a potência dos sedãs. No biênio 61/62, os melhores resultados obtidos por Ciro com o Simca foram segundos lugares no Circuito da Barra, em Salvador, em 61, e nas 6 Horas da Guanabara, em 1962, no último em dupla com Toco. De consolo, duas vitórias em classe, no Circuito de Araraquara e nas 500 Milhas de Interlagos. Ciro também adaptou um motor Simca, na sua Maserati, assim disputando provas de Mecânica Nacional, sem notável sucesso no primeiro ano, usando esse carro nos 500 km de Interlagos.

 

Em 1963, finalmente a primeira vitória com a Simca de fábrica, nos 1600 km de Interlagos, dividindo um Simca Rallye com Jayme Silva. Nessa prova participaram diversas carreteras, inclusive a potente Chevrolet de Catharino Andreatta/Breno Fornari. Além disso, conseguiu um 2o. lugar com o Maserati-Simca de Mecânica Nacional em Araraquara.

 

As corridas em 1963 estavam sendo dominadas pelas leves Berlinettas da Equipe Willys, com muito menos da metade do peso do Simca. O presidente da Simca do Brasil, Engenheiro Pasteur, cansado das derrotas, decidiu importar três Simca Abarth para fazer frente aos leves GTs da Willys. Os três carros seriam emprestados pela fábrica francesa, em regime de comodato, durante um ano, devendo posteriormente ser devolvidos.

 

Enquanto não chegavam as Abarth, Ciro passou seu tempo ganhando o GP Rogê Ferreira de 1964, com uma Maserati 450 S, puro sangue, e construindo um protótipo que seria chamado de Tempestade, mais tarde Perereca, ou para os menos íntimos, Simca TGT. Usando como base o chassis de sua Maserati, motor Simca, e bonita carroceria em forma GT, o protótipo inicialmente recebeu a atemorizante alcunha de Tempestade, logo mudada para Perereca, em homenagem à má dirigibilidade do carro. Eventualmente o carro chegou a ser razoável.

 

Com as Abarth, era de se pensar que Ciro seria imbatível. Ainda considerado um dos melhores, se não o melhor piloto do Brasil, e recordista absoluto de Interlagos, Ciro certamente daria muito trabalho com a Abarth numero 44. Na realidade, com a Abarth Cayres só ganhou os 500 km de Interlagos de 1964 (junto com Toco Martins) e uma prova secundária na Ilha do Fundão, a segunda etapa do Campeonato Carioca. Marcou melhores voltas, poles, mas a Abarth não lhe deu sorte. De fato, no período da Abarth, as vitórias mais expressivas de Ciro se deram com a Perereca (nas 6 Horas de Brasília de 64, com Ubaldo César Lolli) e nos 500 km da Guanabara de 1965, com Jayme Silva e Jaú, e com uma carretera da Simca, com Jaú, nas 6 Horas de Curitiba de 1965.   O menos cotado Jayme Silva, por outro lado, obteve grandes sucessos com o carro.

 

A partir de 1966, Ciro reduziu bastante as suas participações em corridas. Fez quatro provas na Equipe Jolly, em 66 e 67, com o melhor resultado 4o. nas 12 Horas de Interlagos de 1967, com Ubaldo César Lolli.

 

Apesar de não ser engenheiro formado, Ciro foi contratado pela General Motors para desenvolver o Opala. Esse fato, e o fechamento de Interlagos para reformas em 1968 certamente contribuíram para o afastamento de Cayres das pistas. Entretanto, com a reabertura do autódromo em 1970, Cayres voltou para mostrar que ainda era veloz. Com uma BMW 2002 Spyder da equipe CEBEM, Cyro obteve duas excelentes vitórias nos 1500 km de Interlagos e no Prêmio Tufic Scaff, em 1970, compartilhando o carro com Jan Balder, e marcando a pole e a volta mais rápida em ambas as corridas. Com o mesmo piloto, participou das 24 Horas de Interlagos desse mesmo ano, com Opala, chegando em 7°.

 

Ciro novamente teve uma temporada reduzida em 1971. Dividiu uma Alfa GTA com Graziela Fernandes, nas 12 Horas de Interlagos, abandonando, e daí por diante sua carreira se limitou a pilotar Chevrolet Opalas. Chegou em 7° nos 500 km, e participou nas corridas da Copa Brasil, obtendo posições intermediárias, visto que seus concorrentes eram carros esporte.

 

Em 1972 Ciro participou de quatro corridas de Divisão 3, com Opala, obtendo três segundos lugares e um 3°, duas dessas provas do Campeonato Brasileiro de Viaturas Turismo. O terceiro lugar foi uma performance expressiva, visto que o carro era quase standard.

 

O grande Opala de Ciro em 1974: despedida de um mestre

Já com quarenta anos, ficava óbvio que o fim da carreira estava próximo. Ciro ficou de fora das corridas em 1973, mas decidiu preparar um Chevrolet Opala de primeira para disputar o Campeonato Paulista de Divisão 3 em 1974. Com pouca concorrência, o carro ganhou a maioria das provas disputadas, além de obter diversas melhores voltas e poles. Apesar dos 500 km de Interlagos terem sido disputados com carros da Divisão 3 naquele ano, Ciro resolveu não participar. No fim do ano, após sagra-se campeão, Ciro resolveu pendurar o capacete, continuando a trabalhar na engenharia da GM até aposentar-se. Faleceria em novembro de 1999, com 67 anos de idade.  

 

Send mail to carlosdepaula@mindspring.com with questions or comments about this web site.
Last modified: March 28, 2007