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Copyright © 2003 Carlos de PaulaCOPERSUCAR
FITTIPALDI: ACERTO OU ERRO? A
retrospectiva histórica sempre nos permite, comodamente, analisar fatos de uma
forma mais clara e calma. O fato de Emerson Fittipaldi ter saído da McLaren em
1975 para se integrar à equipe Fittipaldi de F-1 em 1976 parece quase
categoricamente um dos maiores erros do automobilismo até hoje. Será que foi? A equipe
Copersucar Fittipaldi, por sua vez, teve um ano de estréia difícil em 75. Em
tese, era a época mais propícia para lançar uma equipe desse tipo. Ao contrário
dos carros de F-1 de hoje, a maioria dos carros da época era construída com um
único motor (Cosworth V8), caixa de câmbio (Hewland) e pneus (Goodyear). Eram
kit-cars. Portanto, na
teoria, se o construtor conseguisse montar um chassis equilibrado, com boa
suspensão e aerodinâmica, e fosse razoavelmente organizado e patrocinado,
poderia ser um vencedor em potencial. Em 1975, um número inusitado de
diferentes tipos de carros ganhou GPs (McLaren, Brabham, Ferrari, March,
Hesketh, Tyrrell) ou corridas extra-campeonato (Shadow). Outros, como o Lola e
Parnelli, chegaram a liderar corridas. O Shadow era um bom exemplo de que um
fabricante podia sair do nada, e, em dois anos, se tornar carro de ponta, tendo
marcado três pole-positions durante o campeonato e liderado corridas. A Shadow
estreara em 1973. A tese
tinha uma falha séria, entretanto. Nem todos os motores Ford Cosworth eram
iguais, nem tampouco as caixas Hewland ou pneus Goodyear. Havia diferenças, e
geralmente, as equipes iniciantes não eram agraciadas com equipamento de ponta.
Para
piorar, o Copersucar original,
projetado pelo iniciante Richard Divila, era bonito e arrojado. Só não era prático,
e o carro da apresentação foi completamente mudado ao iniciar o campeonato.
Ainda assim, em nenhum momento pareceu ser competitivo, nas mãos de Wilson
Fittipaldi Jr. nem de Arturo Merzario, que correu com o carro na Itália. Cabe
aqui um porém. Antes de qualquer coisa, a família Fittipaldi sempre foi
pioneira no automobilismo. Wilson Fittipaldi pai criou as Mil Milhas. Wilsinho
correu com o primeiro carro de F-3 brasileiro, o Gávea, na Temporada Argentina
de 1966, e fez o primeiro assalto à F-3 Européia, em Monthlery, 1966, com um
Pygmee. Emerson foi o primeiro piloto brasileiro da década de 60 a atingir
sucesso no nível de F-3. Além disso, no Brasil eles construiram karts, o belo
Fittipaldi-Porsche, o bem sucedido Fórmula Ve Fitti-Ve, além de um curioso
Fusca bi-motor. A inovação estava na veia dos Fittipaldi. O início
da temporada de 77 foi auspicioso por um lado, e desanimador, por outro. Emerson
terminou os dois primeiros GPs em 4°
lugar, portanto o FD-04 pelo menos provava ser resistente. Desanimador por que
os dois primeiros GPs foram verdadeiros festivais de abandonos, e Emerson ainda
largava entre os últimos. O carro ainda não era competitivo. O resto de 77 não
foi muito melhor, com mais desclassificações em treinos. Entretanto, a
Fittipaldi já havia aprendido algumas lições. O carro FD-05 era projetado
pelo inglês John Baldwin, não mais pelo inexperiente brasileiro Divila. A
equipe já se baseava na Inglaterra, e os diversos bem intencionados
fornecedores brasileiros de peças foram substituídos por mais experientes
ingleses. Durante o ano, muito se cogitava sobre a mudança de Fittipaldi para
uma equipe de ponta, como a Ferrari, mas Emerson continuou a insistir no sonho
do F-1 brasileiro, ou, a esta altura, pseudo-brasileiro. Começaram a dizer,
injustamente, que Emerson ficava na Copersucar por causa de dinheiro.
FD 04 em Long Beach, 1977 Maior gloria do Fittipaldi F-1:2o. no GP do Brasil de 1978 Toda
evolução feita em 1978 caiu por terra em 79, e Emerson marcou um único ponto,
na primeira corrida do ano. O carro daquele ano era terrível, embora
bonito, e no fim do ano, os Fittipaldi resolveram comprar o equipamento da
equipe Wolf.
Como
posso eu dizer que a Fittipaldi-F1 foi um acerto, se basicamente acabou com a
carreira de Emerson na F-1? Façamos uma retrospectiva. Se Emerson tivesse
permanecido na McLaren em 1976, é bem possível que tivesse sido ele, e não
Hunt, o campeão do mundo de 1976. E é bem capaz que continuasse a ser
competitivo com o McLaren M-26 em 1977, como Hunt. 1978 teria sido um ano
dificil na McLaren. Na minha opinião, Emerson teria ganho mais alguns GPs, quem
sabe um campeonato, mas teria se aposentado em 79, desmotivado, mas ainda um
homem jovem e ainda considerado piloto de ponta. Naquela época, ex-campeões de
F-1 geralmente se aposentavam quando caíam de produção, ou, se possível
antes. E lembro-me de ter visto um artigo sobre Emerson, numa revista 4 Rodas de
1974, sobre um teste feito no McLaren M16 de Fórmula Indy. Emerson disse na época
não ter o mínimo interesse de correr em Indianapolis ou na categoria, na
realidade muito fraca na ocasião. Já
disse acima, e repito, que os Fittipaldi sempre tiveram uma veia inovadora. O
fracasso de Emerson na sua equipe, na realidade, o afetou pessoalmente nos dois
primeiros anos, mas a competitividade voltou, e Emerson passou a correr de kart
no Brasil. Voltou a testar um F-1, mas a única equipe que lhe ofereceu um carro
foi a Spirit, na realidade, mais fraca do que a Fittipaldi na sua pior época.
Emerson se voltou para os Estados Unidos. De certa
forma, a sua carreira na F-Indy foi mais bem sucedida do que a carreira de F-1.
Obteve mais vitórias, pole positions e voltas mais rápidas do que na F-1.
Mostrou-se mais agressivo do que na F-1, onde era criticado por fazer corridas
mais cerebrais, de espera, do que rápidas, principalmente depois do seu
acidente na Holanda, em 1973. A presença de Emerson na F-Indy não somente
aumentou o prestígio da categoria, como abriu as portas dos Estados Unidos para
pilotos brasileiros, muitos dos quais hoje dominam diversas categorias neste país,
inclusive a F-Indy. Emerson abriu o campo aqui, como havia feito na Inglaterra e
Europa.
LISTA
DOS KIT CARS DE F-1 COM DESEMPENHO PIOR DO QUE A FITTIPALDI NOS ANOS 70/80 Connew-Ford Bellasi-Ford De
Tomaso-Ford Iso-Marlboro-Ford Amon-Ford Token-Ford Ensign-Ford Parnelli-Ford Trojan-Ford Lyncar-Ford Kojima-Ford Maki-Ford Eifelland-Ford (March modificado) Hill-Ford (do bi-campeão Graham Hill) Rebaque-Ford Kaushen-Ford Merzario-Ford Theodore-Ford ATS-Ford Boro-Ford
(na realidade, Ensign modificado) Appolon-Ford Lec-Ford Martini-Ford Osella-Ford
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