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Copyright © 2003 Carlos de PaulaDIVISÃO
4 – A CATEGORIA QUE QUASE DEU CERTO Por
Carlos de Paula Para o
aficcionado de automobilismo atual é quase impossível imaginar que nos anos 60
carros esporte chegaram a ameaçar a hegemonia de todas as outras categorias do
automobilismo, inclusive a F-1. Isso, em ambos os lados do mundo. Na Europa,
era fácil ver por que Ferraris de 3 litros ou mais pareciam mais interessantes
do que a Fórmula 1 de parcos 1,5 litro. E com a chegada da Ford, em 1964, o
interesse se voltou quase todo às épicas batalhas entre italianos e americanos
(Ferrari x Ford). A estes juntaram-se, no curso de poucos anos, Chaparral,
Mirage, Alfa-Romeo, Howmet, Matra, Lola-Aston Martin e Chevrolet, além das
sempre presentes Porsches, e carros de baixa cilindrada, como Chevron, etc. Do outro
lado do Atlântico, existia uma raquítica Nascar, com calendário repleto de
corridas em pequenas pistas de terra, e um esquizofrênico campeonato de Fórmula Indy,
que incluía diversos tipos de carros, para pistas de asfalto, subida de
montanha e terra. E surgiu o
Grupo 7, com um regulamento liberal, sem limite de cilindrada e potência. Era a
série Can-Am, que apesar da hegemonia da McLaren, entre 1967 a 1971, atraía
estrelas européias, visto que os prêmios eram bem polpudos para os padrões da
época (era conhecida como a milionária série Can-Am), muito divulgada nas
revistas especializadas brasileiras. Tarumã,
1971 - a frente, dois Porsches da Hollywood. Mais atras, o Furia, e uma serie
de prototipos brasileiros inclusive o Camber n 17, Alfas GTA, Pumas, Opala e Fusca. Logo os Porsche
seriam proibidos de correr no Brasil. Assim
que não é difícil entender por que no imaginário do aficionado brasileiro,
os carros esporte e protótipos estavam mais presentes do que monopostos, numa
era em que não existia transmissões de F-1. A
partir de 1969, começaram a entrar diversos carros de bom pedigrê no Brasil: a
Alfa P33 da Jolly, pelo menos duas Lola T70, uma Lola T210, um Ford GT-40,
diversos Porsche, inclusive o famoso 908/2 da Equipe Hollywood, um Royale, até
mesmo simpáticos Mini-Coopers! Tais carros dominaram as corridas no Brasil de
1969 a 1972, esporadicamente perdendo para os sedãs Alfa GTA e GTAM ou BMW, ou
então um Fúria ou Protótipo Bino em tarde inspirada. Furia
de Pedro Victor de Lamare. Correu com motor BMW e Opala Foi também
em 1969 que começou a fabricação mais frequente de protótipos brasileiros,
numa extensão logica dos hibridos dos anos 50 e 60, seguindo o pioneirismo do
Simca Tempestade, dos Fittipaldi
(sempre eles, com o Fitti-Porsche de 1967)
e dos protótipos Bino da Willys. Geralmente equipados com mecânica VW, alguns
tinham motores mais exóticos, como Corvair e Chevrolet Corvette. O AC foi lançado
em 1969, por Anísio Campos, e teve, entre outros pilotos,
Chiquinho Lameirão e Wilsinho Fittipaldi. O Fúria foi lançado em 1970,
com mecânica FNM, e depois usou motorização Opala, BMW, Ferrari e Chrysler. O
protótipo Snob’s, de Eduardo Celidônio, tinha mecânica Corvair. Além dos
excêntricos protótipos de Bica Votnamis, com motor Corvette(veja foto a seguir). Sem contar os
Patinhos-Feios, feitos em Brasília, e até um esquisito protótipo com
carroceria de gesso, que correu nos 1000 km de Brasilia de 1969, e aparentemente
desmanchou na pista.
Caçador de Estrelas de Bica Votnamis: carretera, mecânica continental, protótipo, avião, ou o que? Motor V8
Protótipo Casari cm motor Ford
Protótipo Camber, de Alex Dias Ribeiro
Dois AC-VW com Wilson Fittipaldi Jr. e Fritz Jordan
Camilo
Cristofaro abrilhantou o campeonato de 73, com seu Furia Chrysler Pode-se
argumentar que o campeonato de Divisão 4 de 1973 foi um clássico. Teve oito
corridas, uma raridade para a época, e pelo menos na Classe B (carros de grande
cilindrada) foi bastante disputado. Diversas feras da época correram nele:
Antonio Carlos Avallone, Chico Lameirão, Pedro Victor de Lamare, Nilson
Clemente, Jan Balder. Os emergentes Pedro Muffato(prefeito de Cascavel, Paraná) e Arthur
Bragantini. Um desconhecido mineiro, Luis Carlos Pinto da Fonseca. E um mito:
Camillo Christófaro correu algumas vezes em São Paulo. Embora não houvesse
muita variedade de marcas, pelo menos o Avallone tinha três motorizações
diferentes: Chrysler (que ganhou mais corridas), Ford e Chevrolet. Com o Fúria-Chrysler
de Camilo ajudava a fazer a diversidade da festa. Durante o ano, Bragantini
espatifou o seu Avallone, enquanto liderava o campeonato, e não teve jeito -
teve de usar a tal brecha na lei brasileira: enfiou um motor Maverick no
Ford-GT40, que assim, se tornou um Divisão 4! Na Classe A, Maurício Chulam foi
um grande dominador, com seu Heve, mas Sergio Benoni Sandri, ilustre
desconhecido do Paraná, ganhou duas corridas e Newton Pereira, uma. Pelo
menos surgiu um concorrente para o Heve: o Polar, primeiro carro brasileiro com
chassis monocoque e ainda por cima, motor Ford turbo! Havia mais
diversidade de marcas na classe A: Manta (do Paraná), AC, alguns protótipos VW de origem
desconhecida, além de um estranho protótipo bi-motor (DKW e VW!!!), Made in
Cascavel. O Avallone Chrysler com o qual Antonio Carlos Avallone ganhou o certame de Divisão 4 em 1973, em Interlagos
Jan Balder também correu com o Avallone de "fábrica" Os grids
não eram cheios, mas à primeira vista, parecia que a Divisão 4 se impora como
a principal categoria do automobilismo brasileiro. Tinha os carros mais potentes,
que chegavam próximos de rodar em Interlagos em menos de 3 minutos. Bons
patrocinadores, pilotos - o futuro parecia áureo. E supostamente, logo
voltariam os outros carros que tinham sido aposentados pela lei: na Cascavel de
Ouro (extra campeonato), por exemplo, a equipe Motoradio estreou uma Alfa T33,
ex Jolly, com motor Maverick, pilotada por Angi Munhoz (chegou em 2°). Daí
veio 1974. Em outros artigos, mencionamos que o ano não foi fácil para o
automobilismo brasileiro e mundial. O primeiro choque do petróleo, causado pela
guerra de outubro de 1973, no Oriente Médio, tornou a idéia de competir com
carros algo completamente politicamente incorreto (numa época em que nem
existia o termo) – como se os carros de corrida estivessem consumindo todo o
petróleo do mundo, e no caso do Brasil, causassem os desequilíbrios do balanço
de pagamentos! A crise chegou com tudo no Brasil, e os calendários simplesmente
não foram cumpridos. No final, a Divisão 4 teve só três provas em 1974. A de
Goiânia, na inauguração do autódromo, ganha por Antonio Castro Prado, na B,
e Marcos Troncon, com um Royale-Chevrolet na A. Antonio Carlos Avallone, campeão
no ano anterior, aprontou uma das suas. Tinha cismado de fazer um F-5000
brasileiro, ou seja, monoposto, anunciado com fanfarra na revista
Auto-Esporte. Como ninguém se interessasse pela categoria,
resolveu colocar alguns para-lamas em cima das rodas, e chamou o carro de Divisão
4!(Curiosamente, mais tarde fez-se a mesma coisa com a segunda versão da série
Can-Am nos EUA: carros de F-5000 com paralamas e/ou carenagem – copiaram o
Avallone!). Chegou em 2°
em Goiânia. As duas últimas etapas foram corridas em Cascavel, sem dúvida com
uma ajudinha do prefeito Muffato. E foi ele mesmo que acabou levando o caneco na
B, e Chulam na A. Heve
VW de Mauricio Chulam: bicho-papao da Divisao 4, tetracampeao 72-73-74-75,
Classe A
Berta Hollywood - sensação de 1975, com Luis Pereira Bueno Havia
esperanças de que as coisas melhorariam em
1975, pois a Caixa Econômica Federal resolveu patrocinar
os certames de Divisão 3 e 4. A Divisão 4 correria nos mesmos dias da Super-Vê,
tendo um calendário confirmado de 6 provas, e a Divisão 3 se enquadaria no calendário
da F-Ford. E havia novidade no ar. A Hollywood conseguiu mandar fazer um protótipo
na Argentina, preparado por Orestes Berta, que poderia correr no Brasil contanto
que fosse equipado com motor brasileiro. E era equipado com o motor do Maverick. Série de artigos informativos PILOTOS BRASILEIROS NO MUNDIAL DE MARCAS AUTOMOBILISMO BRASILEIRO - ANTES DE 1970 GALERIA DE PILOTOS BRASILEIROS QUE CORRERAM NO EXTERIOR CAMPEÕES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO CURIOSIDADES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO BRASIL - COMEÇO DO CELEIRO DE PILOTOS - 1966-1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1972 1972 - CONSAGRAÇÃO DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL SCHUMACHER: É O MELHOR DA HISTÓRIA? EQUIPE HOLLYWOOD - COMEÇO DO PATROCÍNIO COMERCIAL CHEVROLET OPALA NAS COMPETIÇÕES BRASILEIRAS MECÂNICA CONTINENTAL - ONDE ELES ESTÃO? PIONEIRISMO DE EMERSON FITTIPALDI FUSCA NAS CORRIDAS BRASILEIRAS MARCOS DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO 25 HORAS DE INTERLAGOS DE 1973 DIVISAO 4 - A CATEGORIA QUE QUASE DEU CERTO PATROCINADORES PIONEIROS DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO KARTISMO - A RAZÃO DE SERMOS UM CELEIRO DE PILOTOS
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