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GP IV
CENTENÁRIO DE 1965 – BRIGA EM FAMÍLIA Por
Carlos de Paula Pode se
dizer com certeza que a temporada de 1965
foi o auge da briga entre as fábricas, entre outras coisas por que tanto a Simca,
como a Willys e a Vemag
tinham carros em condições vencer corridas. É certo que o Simca Abarth tinha
boa vantagem sobre os Alpines/Interlagos da Willys e sobre os Malzoni da Vemag,
mas pela primeira vez tinha-se a impressão de real disputa entre as fábricas. O GP do
IV Centenário do Rio de Janeiro tinha assumido uma importância tremenda, entre
outras razões, devido à importância única da data. Também havia a impressão
de que os dias dos Abarth no Brasil estavam contados, embora ainda fossem
competitivos, pois poucas semanas antes, Jaime Silva ganhou uma rara (na época)
corrida em Vitória, Espírito Santo. Os Abarth estavam no Brasil interinamente,
e mais cedo, mais tarde, deveriam voltar para a Europa. A Vemag tinha
simplesmente dominado o GP de Piracicaba, em parte devido à ausência das duas
outras fábricas: suspeitava-se que estas achavam que perderiam a corrida no
circuito de rua de Piracicaba, com muitas ladeiras, curvas fechadas e quase sem
retas, mais propício para os carros com mecânica DKW (tração dianteira e
grande torque). Equipe Simca em Força no GP IV Centenário: despedida das Abarth
O
circuito da Barra da Tijuca também parecia propício para os simpáticos
Malzonis brancos, mas ainda assim, a Simca
compareceu com tudo: duas Abarth para Jaime Silva e Ciro Caires, o
Tempestade para Ubaldo Cesar Lolli, Jose Fernando Toco Martins com um Protótipo
Tufão, e dois Tufão Grupo 2 para Lauro Soares e Jaú. Tudo isso com Chico
Landi à frente. Ao
chegar no Rio, entretanto, Chico Landi foi procurado por um oficial da alfândega.
Este alegava que os Abarth estavam no Brasil ilegalmente, pois aparentemente a
Simca havia requerido uma permanência experimental de um ano, e, portanto, as
Abarth estavam com o “visto vencido” há quase um ano. Suspeitava-se,
obviamente, que alguém dedou o pessoal da Simca, pois o automobilismo na época
gerava pouco interesse além dos aficionados, e a possibilidade de um oficial da
alfândeda aparecer do zero parecia um tanto difícil de engolir. Conversou-se
muito e adiou-se a querela para a semana seguinte, em São Paulo, em um ambiente
mais... administrativo. A Willys
marcou presença com carros para Wilson Fittipaldi Jr. e Luis Pereira
Bueno(Alpines), e Berlinettas Interlagos para Bird Clemente, José Carlos Pace e
Carol Figueiredo. Por último, a Vemag
comparecia com três Malzonis para Marinho, Eduardo Scuracchio e Chiquinho
Lameirão, além de Belcar para Anísio Campos. Além disso, estavam lá os
gentlemen drivers da equipe Jolly-Gancia,
Emilio Zambello e Piero Gancia, com as suas Alfas importadas. Ao todo, havia 39
carros, inclusive um carro que ninguém esperava. Todos
estavam acostumados a ver Camilo Christófaro correndo com sua carretera
Corvette 18 ou com seu Maserati-250 F com motor Chevrolet, de Mecânica
Continental. No início da década, correu muito de JK, portanto, fez certa
surpresa, e furor, quando apareceu com uma Ferrari, uma GTO de 1958. É certo
que já era uma Ferrari velhusca, de 7 anos de idade, mas era, acima de tudo,
uma Ferrari. Os menos generosos poderiam dizer que era até covardia correr com
uma Ferrari contra Malzonis de 1 litro e Alpines de 1.3, mas obviamente,
qualquer vantagem na cavalaria se desfaria nas curvas fechadas e piso ondulado
do circuito de rua. E acima de tudo, a Ferrari estava lá para peitar as Abarth
de 2 litros, não os Alpine e Malzoni. Camilo
melou a festa do Tio Landi com esta Ferrari; e este quase mela a sua festa No dia
da corrida, Jaime Silva, apesar de largar nas últimas filas, já assumia a
ponta na décima volta. Com ou sem Ferrari,
parecia que seria outro passeio das Simca-Abarth 26 e 44. Só que apesar
de sua grande representação numérica, a equipe Simca começou a se desmanchar,
pouco a pouco. Primeiro Toco saiu da pista com o protótipo Tufão. Depois, foi
Ciro, cujo flexível da bomba de óleo quebrara, dando um banho preto no carro
vermelho. Para piorar, o recalcitrante Tempestade estava sofrendo pressão de
Bird com o Interlagos. Mas o grande problema da Simca era a Ferrari com Camilo
ao volante: Christófaro estava em segundo lugar, e na 48a. volta diminuía a
olhos vistos a sua diferença para Jaime. Chico Landi começou a pedir mais
velocidade tanto a Lolli, com a “Perereca”, como a Jaime, com o Abarth 26.
Os dois sentaram a bota. Na 56a.
volta, Landi quase fica apopléctico. Jaime não passou. Com poucos minutos para
terminar a corrida de 2 horas, Jaime Silva e a Abarth quebraram. E quem acabou
ganhando a prova foi seu sobrinho Camilo. Em 2o. lugar, para surpresa e satisfação
geral, Marinho com o Malzoni Branco, número 10, seguido de Wilsinho com a
primeira Alpine amarela. Infelizmente,
a corrida não terminou com a bandeirada. Chico Landi, insuflado por Lauro
Soares e Lolli, decidiu protestar a Ferrari. O argumento de Landi não era de
todo errado. Alegava que a Ferrari entrou no Brasil legalmente, com sua homologação
de GT, da FIA. Entretanto, mais tarde Camilo a despachara para a Itália, e o
carro passou por algumas “modificações”, inclusive um motor de Testa Rossa
12 cilindros. Portanto, Chico alegava que o carro tinha papéis de GT, mas na
realidade era um “Protótipo”. Camilo não contra-argumentou, mas poderia
dizer que embora as Abarth estivessem com a sua homologação correta, como GTs,
de fato estavam no Brasil ilegalmente há mais de um ano, segundo a alfândega,
portanto, não podiam correr. E houve um certo ba-fa-fá durante a cerimônia de
premiação, seguido de ligações até para a Itália. No fim, Camilo foi
confirmado vencedor, embora enquadrado na classe protótipos e na geral. A Simca
conseguiu, com isso, a vitória na categoria GT acima de 1300 cc. E esta acabou
sendo a penúltima corrida dos Abarth das pistas brasileiras. Classificação
Final do GP IV Centenário de 1965 1. Camilo Christófaro – Ferrari GTO, 60 voltas, em 1h58m23s08, média
132,894 km/h 2. Mario Cesar de Camargo Filho – DKW Malzoni – 57 voltas 3. Wilson Fittipaldi Junior – Alpine – 57 v. 4. Jaime Silva – Simca Abarth – 56 v 5. Eduardo Scurrachio – DKW Malzoni – 54 6. Bird Clemente – Willys Interlagos – 52 v 7. Ubaldo Cesar Lolli – Simca Tempestade – 52 v 8. José Carlos Pace – Willys Interlagos – 51 v 9. Carol Figueiredo – Willys Interlagos – 51 v 10. Emilio Zambello – Alfa Giulietta – 51 v 11. Lauro Soares – Simca Tufão – 51 v 12. Francisco Lameirão – DKW Malzoni – 50 v 13. Carlos Erimá – Willys Interlagos – 50 v 14. Piero Gancia – Alfa Zagato – 50 v. 15. Valter Hahn – Simca Tufão – 49 v 16. Luis Pereira Bueno – Alpine – 48 v. 17. Pedro Victor de Lamare – 1093 – 48 v. 18. “Coruja” – 1093 – 48 v. 19. “Jaú” – Simca Tufão – 48 v. 20. ‘Serrador” – Willys Interlagos – 47 v. 21. Narciso Sá – Willys Interlagos – 44 v 22. Feres Neto – VW – 43 v. 23. Celso Gerassi – DKW Vemag – 42 v. 24. Paulo Vargas – 42 v 25. Gilberto Capitão – 1093 – 42 v.
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