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As Páginas Amarelas do brasileiro nos Estados Unidos desde 1990. Editor: Carlos de Paula

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Edited by Carlos de Paula, translator, writer and historian based in Miami

ã De Paula Publishing, 2013

 

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POBREZA  

Por Carlos de Paula

 

Tivemos o prazer “qualificado” de entrevistar o Professor Laudislau Vespasiano, docente de sociologia da Faculdade Livre de Eirunepé, que acaba de lançar o livro “Erradicar a Pobreza – Prioridade n. 1”, que contém diversas idéias, digamos, novas, sobre o tão discutido assunto.

 

-         Professor, qual é a tese central do seu livro?

 

-         Sinteticamente, descobri que o Brasil é pobre por causa da pobreza.

 

-         Mas isso é óbvio, não?

 

-         Eis aí, meu caro, um paradoxo jungiano de primeira ordem. O óbvio muitas vezes nos choca tanto que não queremos, não podemos vê-lo. E por não podermos vê-lo não o solucionamos. Por isso digo que erradicar a pobreza é a prioridade n. 1. Estive fazendo pesquisas de cunho silogístico-semântico, e descobri algo interessante. O senhor sabe de onde vem a expressão erradicar?

 

-         Não...

 

-         Significa é + radicar. Radicar é uma corruptela de radical. Ou seja, para erradicar, é necessário, sob a ótica silogístico-semântica, ser (é) radical. E para isso tenho a fórmula. Erradicar a pobreza no Brasil é fácil, basta ser radical. Basta tornar a pobreza ilegal!

 

-         Como???

 

-         Surpreso, hein? Vou dar um exemplo mundano. Quando não se aplicava rigorosamente multas por excesso de velocidade o povo abusava. Daí passaram a multar, com multas altas, e hoje em dia o motorista toma mais cuidado. Reflexo condicionado de Pavlov. Assim será com a pobreza. Dentro desta ótica, descobri com modelos polinomiais de n-grau, informatizados, que se o pobre for multado por ser pobre, ou for passível de passar um tempinho na cadeia, por violar a lei em virtude da sua pobreza, vai fazer de tudo para sair da pobreza. Simples.

 

-         Simples, mas não exequível...

 

-         Eze o quê...desculpe, estou um pouquinho defasado no meu alemão, pois ando estudando muito japonês, javanês e finlandês, e às vezes me confundo. Mas as minhas pesquisas também revelaram outros fatos que ficam, sublinarmente, na psiqué do povo. A palavra pobrema, por exemplo, vem de pobre. Pobre + má. Má é um sufixo que indica malefício. Ou seja, mal da pobreza. Portanto segue que todo pobrema advém da pobreza, a própria palavra diz. Para eliminar os pobremas da nossa sociedade, temos que acabar com a pobreza. Há outra escola, mais retórico-gráfica, que indica que o próprio z de pobreza, nada mais é do que um “m” numa rotação de 90°  assim, tá vendo...

 

-         Mas a palavra é PRobLema, não pobrema.

 

-         Isso foi incutido nas nossas mentes durante séculos e séculos de desinformação por forças ocultas, já detectadas de forma muito sutil nos escritos de Augusto Comte e confirmadas pelo genial Jânio Quadros. Este R e L tem causado muito pobrema, e nada mais são do que a dicotomia binária 0 e 1, sim e não, ying e yang, Fla e Flu, R e L, right e left, que em inglês significam direita e esquerda, parte de toda a polaridade societal, political e natural...

 

-         O senhor me desculpe, mas estou passando mal. Considere concluída a entrevista. Vai sair na página de humor. Passe bem...