brazilyellowpages.com

Google
 

[Under Construction]

HOME PAGE - FORMULA 1 DRIVERS LISTINGS

AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

RACE WINNERS

FORMULA 1 MANUFACTURERS

FORMULA 1 DRIVERS PER NATIONALITY

BRAZILIAN PRODUCTS

HAVAIANAS

ENCICLOPÉDIA DE AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

MORTGAGES

RACING NEWS

BRAZILIAN MUSIC

FLORIDA

MEDICAL INFORMATION

COFFEE

INTERNET DOMAINS

REAL ESTATE

BRAZILIAN EXPORTERS

BRAZILIAN IMPORTERS

TRANSLATIONS

MEXICAN IMPORTERS

AMERICAN IMPORTERS

PERSONAL FINANCING

CREDIT

TRAVEL

IMMIGRATION

INTERNET

PORTUGUESE BUSINESS DICTIONARY

VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL

CAMPEÕES BRASILEIROS DE AUTOMOBILISMO

 

BRAZILIAN PRODUCTS

TRADUÇÕES JURAMENTADAS

PASSAGENS

MEDICAL INFORMATION

IMPORTERS

INTERNET

JOBS

WEB HOSTING

CIFRAS MUSICAIS

REAL ESTATE

ARTICLES

COFFEE

MORTGAGES

AUTO RACING

RECEITAS

EXPORTERS

PERSONAL FINANCE

CREDIT ISSUES

 TRAVEL

ARTIGOS

CRÔNICAS

FUTEBOL

Lembre-se sempre de dizer que viu na Brazilian Yellow Pages.

EQUIPE VEMAG

Por Carlos de Paula

Fotos do site obvio.ind.br 

Diversas montadoras se interessaram em fabricar carros no Brasil após as gestões da Subcomissão de Jipes, Tratores, Caminhões e Automóveis, que estabeleceu um prazo para que veículos só entrassem no Brasil totalmente desmontados, e sem componentes que já fossem fabricados no País, no segundo Governo Getúlio Vargas. Com isto visava-se atrair a vinda dos fabricantes de automóveis, inviabilizando a importação direta de carros. Alguns destes fabricantes já montavam veículos no país há décadas, como a Ford e GM, despachados parcialmente desmontados e 100% estrangeiros. Para alguns, a nova fase seria uma adaptação para montagem de CKD’s, com componentes brasileiros, e eventualmente em montagem de carros 100% nacionalizados. Entre as “montadoras” encontrava-se uma fábrica de capital  privado 100% nacional, que até aquela altura montava veículos Studebaker, caminhões Scania Vabis e tratores Massey Ferguson. Era a Vemag, nascida Distribuidora de Automóveis Studebaker, que mudou de nome em 1955 e que viria a construir carros DKW no Brasil.

  Pode-se dizer sem exagero que a simpática fábrica do Ipiranga, São Paulo, foi pioneira em diversas áreas. Foi a única empresa de capital brasileiro privado que tentou peitar alguns gigantes do setor automobilístico mundial, entre outros VW, Ford, GM, Mercedes-Benz, todos já instalados no Brasil, e outros recaciltrantes como Simca e Willys-Overland, emergentes, como Toyota e a pública FNM. A Vemag foi a primeira a lançar um carro de porte no senso estrito da palavra, uma risonha Vemaguete, em novembro de 1956 (verdade que a Romi havia lançado a Isetta em 1955, mas, convenhamos, o empreendimento não foi duradouro, e apesar da novidade da simpática Isetta, os micro-carros não eram bem o que se vislumbrava para a indústria automobilística brasileira, assim eu considero a Vemag a verdadeira pioneira). Ao contrário da FNM, que contava com subsídios governamentais, a Vemag enfrentou o mercado sem grande auxílio do seu parceiro alemão Auto-Union, que não fosse técnico. O DKW era o único 2 tempos fabricado no Brasil, e também o único carro de tração dianteira. Ou seja, o mais próximo que tivemos de uma fábrica verdadeiramente brasileira nesta fase pioneira. Apesar de tanta vontade e pioneirismo, a trajetória da descapitalizada Vemag foi uma de luta pela sobrevivência desde o começo da fabricação dos DKW no Brasil, até a incorporação pela VW em 1966.

A risonha, primeira Vemaguete do Brasil

 E foi também a Vemag pioneira nas competições, como equipe oficial. As corridas do Brasil, na época, se dividiam em corridas mais curtas, com carros de competição puros (os mecânica continental e carros esporte, e às vezes, carreteras) e corridas de longa duração, com carreteras e carros de turismo. Já na segunda edição das 1000 Milhas, em 1957, correu um DKW, do entusiasta gaúcho Karl Iwers, e apesar do motor pequeno, não fez feio: chegou em 12° lugar misturando-se às carreteras com motores cinco vezes maiores que o seu.  A Vemag foi a primeira fabricante a decidir abrir um departamento de competições, em 1960, chefiado por Jorge Lettry.

  DKW Belcar em Interlagos

A trajetória da equipe Vemag foi análoga à da fábrica. Muita luta contra concorrentes mais fortes, pouco dinheiro, raridade de resultados absolutos, mas muita, muita garra e simpatia popular. Dentre as três equipes de fábrica, a Vemag foi a única que nunca dominou o cenário brasileiro nas grandes corridas. A Simca teve sua fase de ouro com os Simca-Abarth, em 1964 e 65, e a Willys dominou o resto do tempo desde a sua criação em 1962. A verdade é que a Vemag também foi a única que nunca “apelou” para artifícios, como a importação do Abarth pela Simca, e do Alpine, pela Willys. O próprio JK era suspeito, pois as primeiras unidades eram muito mais italianas do que brasileiras, apesar da lei (a lei, ora a lei!). A Vemag sempre usou carros que eram fabricados, ou muito similares aos industrializados no Brasil (longe de ser o caso do Simca Abarth 2.0 ou do motor 1.3 do Alpine!). E apesar de ser a pioneira, na primeira fase a Vemag  teve que aguentar os sucessos repetidos, nas grandes corridas, dos FNM JKs, verdadeiros papa-tudo entre 1960 e 1962, apesar de contar com pouco ou nenhum auxílio da fábrica. Ainda assim, nas 1000 Milhas de 1960 DKWs chegaram em 7°, 10° e 11°, com Paulo Marinho/Geraldo Bandeira, “Marinho”/Ciro Cayres e Danilo Lemos/Luis Grecco. Nas 24 Horas de Interlagos, foram melhor ainda: Karl Iwers e Diogo Elwanger chegaram em 4°, logo após um trio de JKs. Em 1961, a Vemag teve melhor desempenho nas 1000 Milhas, chegando em 6° e 7°, com Marinho/Bird Clemente e Greco/Juvenal Terra, superando as Simca, mas perdendo para os JK. Nas 12 Horas de 1962, outro 4° lugar e a patente superioridade numérica dos DKW, ficando só atrás de 3 JK e na frente de uma Alfa Giulietta italiana! Outro ponto alto de 1962 foi a vitória de Marinho na pista de rua de Araraquara, interior de São Paulo.

 

Pilotos da Vemag: Lameirão, Marinho, Scuracchio e Anisio. Note-se atrás ambulância do Hospital Santa Lucia: 33-3333. Quem se lembra?

Nesta primeira fase a Vemag contava com excelentes pilotos, de fábrica e particulares, inclusive Bird Clemente e Marinho (estes dois pilotos oficiais, com salário em forma de uso particular de carros da montadora); além disso, outras feras correram com DKW, como Luis Grecco, Ciro Cayres, Eugenio Martins, Godofredo Viana e Christian Bino Heins. Muitos foram contratados para formar a Equipe Willys, e Ciro acabou na Simca.  Mais tarde essa turma inicial foi substituída por Chico Lameirão, Roberto dal Pont, Anísio Campos, Norman Casari, Jan Balder e Eduardo Scurrachio.

 Nas corridas de rua, como Araraquara e Piracicaba,  os DKWs levavam certa vantagem sobre os grandões Simca e JK, e sobre os mais leves produtos da Willys. A combinação do motor e tração dianteira davam grande torque aos pequenos DKWs, que frequentemente surpreendiam em circuitos de rua e nas raras subidas de montanha. Só que em Interlagos, o único autódromo brasileiro da época, o DKW normalmente só ganhava na sua classe – da qual era geralmente o único integrante- pois muitas vezes os Gordini/1093 eram inseridos em uma classe própria!

 

500 km de Interlagos de 1966 - Malzonis na frente do grid, alguns Belcar nas posições intermediárias e finais

Mas a equipe Vemag tentou de tudo um pouco. Sob a tutela de Jorge Lettry, e com o mecânico Miguel Crispim, que procurava extrair o máximo de desempenho dos motores de 1.0 litro, a Vemag construiu carreteras, como a Mickey Mouse, que chegou a ser testada por Juan Manuel Fangio, e era normalmente pilotada pelo folclórico Volante 13. A Vemag também fez uma bem sucedida excursão histórica em 1963, ganhando uma prova internacional com Bird Clemente, no Uruguai, as 3 Horas de Rivera. Mas no cenário nacional, com o lançamento da Berlinetta Interlagos homologada como carro de turismo, as coisas ficaram muito apertadas para os Belcar e carreteras da Vemag. 

 

Landi-Bianco DKW, Fórmula Jr.

Interlagos 1963 - F-Jr DKW combatendo contra um Mecanica Continental: Davi x Golias  

F.Junior DKW, com Marinho ao volante

Durante a tentativa de instalação da Fórmula Júnior no Brasil, em 1962, a Vemag deu o apoio que podia, inclusive preparando um Landi-Bianco-DKW para Mario Cesar de Camargo Filho. A Fórmula Junior tinha tudo para ser a categoria de maior sucesso para a Vemag, mesmo porque na própria Europa e Estados Unidos, diversos fabricantes de chassis como Elva, Mitter, etc., equipavam seus F-Jr. com motor DKW. O propulsor foi um dos que mais sucesso teve na fase inicial da fórmula, principalmente na Alemanha e no Leste Europeu. Na verdade no Brasil a categoria fracassou por uma série de circunstâncias analisadas no artigo acima, e os carros efetivamente acabaram correndo como “classe B” da Mecânica Continental, e mesmo lá, perdendo para Landi-Biancos equipados com motores Simca e JK, mais potentes, assim colocando os DKW de volta nas posições intermediárias.

 

Carcará: carro de recordes da Vemag: recordista até hoje!

Já na fase terminal da equipe oficial o chassis do F-Jr. foi usado para construção do Carcará, veículo de recorde construído pela Vemag na tradição da Auto-Union nos anos 30. Desenhado, preparado e construído por Jorge Lettry, Anísio Campos e Rino Malzoni, o carro foi dirigido por Norman Casari e bateu um recorde sul-americano de velocidade que permanece até hoje. (Mais informações sobre o Carcará aqui)

 

KG Porsche x Malzoni nas 1000 Milhas de 1966

Na última fase da Vemag, a equipe concorreu com o DKW-Malzoni, eventualmente conhecido como Puma-DKW, a partir de 1964. O belo carrinho teve excelente desempenho em diversas corridas, fortalecendo a Vemag nas corridas de rua, e melhorando demais o seu desempenho em Interlagos e no recém inaugurado autódromo do Rio de Janeiro. Em Piracicaba, 1965, por exemplo, os Malzoni simplesmente dominaram com Marinho, Eduardo Scuracchio e Chiquinho Lameirão chegando em 1-2-3. As vitórias voltaram a aparecer. Mas apesar de finalmente ter um verdadeiro carro de corridas nas mãos, a Vemag simplesmente não conseguiu bater os Simca-Abarth e Berlinettas/Alpines, e mais tarde, os Karmann-Ghia Porsche da Dacon nas corridas de maior expressão, além de ter que lidar com carreteras e diversas Alfas da Equipe Jolly. O capítulo DKW quase se fecha em grande estilo,  com a iminente vitória nas 1000 Milhas de 1966, na qual Jan Balder e Emerson Fittipaldi quase vencem contra um grid cheio de papões, inclusive diversos Alpine, KG-Porsches, Alfas importadas e a carretera de Camilo Cristófaro. Na hora “H” o carro falhou, e a vitória acabou com Camilo/Celidôneo. (Mais informações sobre esta corrida aqui).  

Malzoni de Chico Lameirão

  Ironicamente, se o Malzoni tivesse ganho as Mil Milhas de 66, não teria sido com a equipe oficial da Vemag. Esta já não existia naquela altura, visto que a Vemag foi uma das montadoras mais afetadas pela séria recessão brasileira de 65/66, imposta pela dupla Campos/Bulhões. Na verdade os DKWs eram relativamente caros para o consumidor brasileiro. Os sedãs Belcar eram bastante populares entre os taxistas, pois eram carros de 4 portas, econômicos, resistentes, mas de tamanho razoável para usar na praça (os Gordini também tinham quatro portas, eram mais econômicos ainda, mas eram muito pequenos, além de frágeis). Como o governo aprovara o uso de carros de 2 portas para táxis (os vulgos taxi-mirim, ou seja os baratos fuscas), aí se foi o último grande filão da Vemag. A empresa ainda tentou fazer acordo com a Citroën, Fiat e Peugeot, para montar seus carros no Brasil, sem sucesso. No primeiro semestre de 66 já não existia a Equipe Vemag, e logo mais a própria empresa Vemag seria comprada pela VW. Mas DKWs e Malzonis continuaram mais um tempo a agraciar as pistas brasileiras, no caso dos Belcar, até 1970.

 

Um dos últimos carros com motorização DKW a correr no Brasil até recentemente: o protótipo bi-motor de Cascavel, com motor DKW na frente e VW atrás. 1971

O amor pelos DKW permanece até hoje, e os carrinhos voltaram para Interlagos, quase 40 anos depois da sua produção ser interrompida no Brasil. O DKW é um dos mais populares carros do Campeonato de Autos Antigos em SP (ver aqui), e também foi assunto do primeiro site brasileiro especializado em uma marca antiga Clique aqui. Sem dúvida, a coragem e persistência dos DKWmaníacos rendeu muitos dividendos duradouros, algo que a fábrica da Vemag pouco gerou durante sua breve existência.   

DKW nas pistas nos anos 2000. Flavio Gomes e sua carretera

PARA MAIS ARTIGOS DE AUTOMOBILISMO BRASILEIRO, CLIQUE AQUI

Back to Brazilian Yellow Pages

Send mail to carlosdepaula@mindspring.com with questions or comments about this web site.
Last modified: March 28, 2007