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As Páginas Amarelas do brasileiro nos Estados Unidos desde 1990. Editor: Carlos de Paula

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Edited by Carlos de Paula, translator, writer and historian based in Miami

ã De Paula Publishing, 2013

 

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VOLTANDO AO BRASIL. LEIA.

 

A grande maioria dos brasileiros que reside nesta região pretende algum dia voltar ao Brasil. Quem sabe todos. Muitos pretendem voltar logo. Neste artigo, damos algumas dicas que sem dúvida poderão ajudá-lo a ter uma volta ao Brasil bem sucedida, sem ter de voltar aos Estados Unidos para resolver, mais uma vez, problemas financeiros.

 

Antes de voltar ao Brasil é aconselhável acumular um certo patrimônio. Isto é óbvio, e a própria razão da maioria ter vindo para cá. O grande problema é decidir o tipo de patrimônio. Muitos só pensam em bens tangíveis, e vamos ver que isso não é tudo.

 

Quanto a bens tangíveis (financeiros ou pessoais), o principal conselho para um possível investidor é diversificar. Se até Bill Gates, com sua fortuna em ações da Microsoft, tem investimentos diversificados, por que haveria de ser diferente para você? Ou seja: não coloque todos os ovos em uma cesta. Lição número 1.

 

A maioria usa um modelo “ibero” de acúmulo de patrimônio: compra de imóveis. Principalmente agora, a compra de imóveis no Brasil é extremamente viável, dados os preços, baixos em dólar. Normalmente, consegue-se alugar um imóvel por 1% do seu valor de compra, por mês, ou seja, o retorno é bom . Não há dúvida de que é importante comprar o imóvel no qual você estará morando. Com isso, reduzirá a maior despesa mensal, o asqueroso aluguel.    

 

Entretanto, não é recomendável investir todo dinheiro em imóveis, por uma razão muito simples. Embora imóveis rendam 1% ao mês, a renda não é garantida, pois, requer, primeiro, que o imóvel esteja alugado, e segundo, que o inquilino esteja pagando o aluguel! Nos Estados Unidos, um inquilino inadimplente frequentemente é despejado após três meses de atraso – sem choro, nem vela. No Brasil, pessoas físicas inadimplentes conseguem ficar mais de um ano sem pagar aluguel, sem ser despejados. E é por essa mesma razão que não é desejável investir tudo em imóveis. Muitas vezes o proprietário tem uma bela carteira de imóveis, e uma receita baixíssima.

 

Outra razão para não concentrar os investimentos em imóveis também é simples: imóveis requerem manutenção e consertos, cujos custos devem ser arcados pelo proprietário. Quase nunca o rendimento vai ser 12% líquido ao ano, pode ter certeza.

 

Ao alugar imóveis, convém não alugá-los a amigos, parentes ou colegas. Isso porque é mais constrangedor cobrar destas pessoas do que de um ilustre desconhecido. Lembre-se, amigos amigos, negócios à parte.

 

O ideal, além de ter o imóvel onde residirá, e alguns outros de investimento, é ter um valor razoavelmente alto para render juros, se possível, superior a R$100.000. Já se foram os dias do overnight no Brasil, e a poupança já não rende muito no Brasil. Aconselha-se investir em fundos DE RENDA FIXA, de maneira alguma invista em fundos de renda variável, pois estes seguem os movimentos de mercado, pois são geralmente baseados em ações e outros títulos de rendimento variável. Já os fundos de renda fixa são baseados em títulos com remuneração acertada, bem superiores à poupança. Há fundos que pagam, confortavelmente, quase 3% ao mês. Ou seja, uma bela renda de R$3.000,00, sobre um capital de R$100.000,00.

 

Não invista no primeiro banco que aparecer. Os bancos de primeira linha no Brasil estão todos com posição sólida, ao contrário de dez anos atrás, quando pelo menos três estavam tecnicamente falidos (e já não existem mais, pelo menos na configuração prévia). Não é recomendável investir em bancos de pequeno porte ou corretoras, mesmo, e principalmente, se pagam maior remuneração. Se você tem bastante dinheiro para investir, invista-o em pelo menos duas instituições diferentes de primeira.

 

Nunca, mas nunca, invista diretamente no mercado de ações. Sim, os ganhos podem ser imensos, mas os prejuízos também. E nem pense em investir em mercados futuros, commodities, etc..  

  

O terceiro tipo de investimento é geralmente aquele que quebra muita gente, e que faz muitos voltarem aos Estados Unidos: investimento em negócios. Em futuros artigos estaremos tratando deste assunto mais profundamente, mas por enquanto, siga as seguintes regras básicas:

 

Regra número um: nunca invista em um ramo do qual não conheça nada. Basicamente,  isso o coloca em uma posição de vulnerabilidade e dependência em pessoas que conhecem o negócio a fundo. Lembre-se também de que as coisas são diferentes no Brasil, e que a sua experiência americana é importante, mas nem sempre suficiente para encarar a realidade brasileira.

 

Regra número dois: nunca invista em um negócio no qual você não tem condições de trabalhar. Para o pequeno investidor, a melhor situação é ter um negócio no qual possa desempenhar todas as funções, se necessário, para cobrir eventuais faltas ou dispensas. Veja também a regra três.

 

Regra número três: se tiver sócios, escolha-os muito bem. Nunca seja o “silent partner”, aquele que só investe o dinheiro na empresa, e não manda nada. Muitas empresas bem sucedidas nasceram de sociedades saudáveis, mas muitas famílias, casamentos e até vidas terminaram mal por causa de sociedades desastradas.     

 

Regra número quatro: nunca invista todo o seu dinheiro em um negócio. Seja qual for o ramo, você sempre deve ter um capital para cobrir contingências, e nunca deve esperar lucro imediato.

 

O último tipo de investimento é geralmente aquele mais negligenciado pelos brasileiros que querem voltar ao Brasil. Investimento em Educação e Formação. Sair daqui sem levar treinamento técnico em qualquer coisa é um grande desperdício de tempo. Pelo menos tenha o aprendizado formal do inglês. Um diploma norte-americano, seja do que for, ainda vale muito no Brasil. Formação universitária nem sempre é possível, mas tente pelo menos aprender uma profissão na qual o seu conhecimento de inglês seja de alguma valia. E lembre-se. Imóveis, negócios e dinheiro podem ser tomados por ladrões, governos e terceiros. A sua formação, não.